No dia 8 já muito tarde a Inês chegou para uma semana de Turquia! Nesse mesmo fim de semana partimos para a Capadoccia com a Ayse, cuja família é nativa desta zona da Turquia. As expectativas eram enormes, mas cada momento foi ainda melhor do que o esperado. Ficámos hospedados em Goreme, num hotel entitulado “Flinstones Cave”. O quarto era precisamente uma gruta, e senti-me como o Fred Flinstone. Goreme foi mesmo o melhor sítio onde podíamos ter ficado, uma pequena vila muito muito bonita e perto das coisas mais importantes para ver na Capadoccia. No primeiro dia contámos, como disse, com a Ayse. Fomos directos a Derinkuyu, uma aldeia mais a sul conhecida pela sua grande cidade subterrânea. Visitámo-la, claro, e chegámos a estar 7 andares abaixo do solo. Foi incrível ver a dimensão e até o desenvolvimento desta estrutura. Mas a melhor parte estava reservada para o resto da tarde e noite. O primo da Ayse foi-nos buscar e fomos conhecer a aldeia onde a família da Ayse nasceu. Uma verdadeira aldeia turca, bem no interior da Capadoccia. Conhecemos primos, tios, avós, sobrinhos e tios-avós. Comemos com a família uma verdadeira refeição turca, visitámos as casas de vários membros da família, vimos como tratam as vacas, e por fim até jantámos com um tio da Ayse que é presidente da câmara lá do sítio. Apesar de termos algumas dificuldades de linguagem, todos foram incrivelmente simpáticos e voltámos a Goreme com a sensação de termos vivido um pouco da Turquia real.
Inês e Ayse em Derinkuyu
Um verdadeiro almoço turco
Família da Ayse
No segundo dia a Ayse regressou a Istambul, e nós iniciámos a nossa descoberta. Começámos pelo Goreme Open Air Museum, um complexo de igrejas escavadas dentro de rochas, uma mistura incrível de natureza e civilização. Ficámos impressionados como tudo aquilo tinha sobrevivido a revoluções, a religiões e até ao clima, embora muitos dos símbolos cristãos tenham sido riscados. No regresso, descobrimos um restaurante também dentro de uma gruta, onde provámos a tradicional Manti e Guveç, dois pratos deliciosos. Já com energia, decidimos arriscar e tentar subir uma montanha para tentar ver melhor a área. Depois de muito esforço, a recompensa foi incrível. De um lado uma vista linda sobre as montanhas e rochas da região, do outro a vista de toda a vila de Goreme, com o castelo de Uchisar lá ao fundo.
Uma das igrejas do Goreme Open Air Museum
Ainda tivemos tempo para uma grande caminhada no Pigeon Valley, que liga Goreme a Uchisar, com a bela luz de fim de dia. Depois de pararmos em Uchisar, conseguimos uma boleia de regresso a Goreme e jantámos em mais um sítio com uma ambiente muito familiar e acolhedor. Onde quer que fossemos, o sentimento era o de estar dentro da casa de alguém.
Pidgeon Valley
O terceiro e último dia foi reservado para conhecer Urgup, o Pasabaci valley perto de Zelve e Çavusin. Urgup é uma pequena cidade, muito bonita, com um miradouro no alto da zona antiga da cidade, onde se sobe para pedir um desejo e ver a magnífica vista. A subida não foi fácil, porque começou a nevar bastante, mas foi compensadora. De lá partimos para o Pasabahi valley, talvez dos sítios mais bonitos por onde passámos, apesar de bastante turístico. Este vale é conhecido pelas “fairy chimneys”, uma paisagem incrível e mais uma vez cheia de mistérios escondidos dentro das rochas. Por esta zona andámos uns quantos quilómetros, contra o vento e o frio, até chegarmos a Cavusin. Outra pequena aldeia com uma encosta de casas escavadas na rocha, mas já num estado algo perigoso, tanto que era proibida a entrada. Apanhámos outra boleia de um casal de russos até Goreme, onde jogámos um gamão enquanto esperávamos pelo autocarro para Kayseri, de onde regressámos a Istambul.




