Na primeira semana de Abril, tive oportunidade de viver Istambul de uma maneira diferente. Passei a minha semana de férias a passear pela cidade, a conhecer os cantos menos falados, as partes mais “turcas” da cidade. Desde as zonas ricas de Bebek e Nisantasi até às ruas mais pobres de Fatih e Fener, Istambul surpreendeu-me todos os dias. A cidade continua a parecer-me infinita. A meio da semana fui visitar a parte mais turística da cidade, Sultanahmet, à noite. Foi uma bonita experiência, pude ver as ruas perto da Mesquita Azul e da Aya Sophia quase desertas, e entrar no silêncio da Mesquita.
Mesquita Azul à noite
No dia 4 começou o Istambul Film Festival, uma das grandes atrações do mês de Abril. Os filmes são distribuídos por 6 cinemas na cidade, sendo que 3 deles são na Istiklal Cadessi, onde a maior parte da acção se desenrola. A rua continua cheia e pouco diferente, mas assim que se entra nos cinemas percebe-se o ambiente diferente das semanas do festival. O mais interessante é que estes cinemas são quase todos em prédios completamente normais, a meio da rua. Têm uma ou duas salas e um pequeno bar. Mesmo às 3 da tarde de um dia de semana, é difícil arranjar bilhete, e as salas enchem-se de turcos e estrangeiros. O ambiente fez lembrar a Cinemateca em Lisboa, principalmente antes das obras. Logo no primeiro dia, fui ver o Bonnie and Clyde, no Beyoglu cinema, uma pequena sala com pinturas na parede e um ambiente aristocrático. A meio da semana vi o Blue Velvet, do David Lynch, num cinema mais moderno, mas também na Istiklal. Apesar de ter vontade de ver muitos mais, a viagem à Capadoccia interrompeu as minhas idas ao festival, que foram retomadas com a Inês, no penúltimo dia do Festival, para ver O Estranho Caso de Angélica, do nosso Manoel de Oliveira. Bizarro filme, belas imagens, quase incompreensível história. Houve até alguns turcos a abandonarem a sala a meio, insatisfeitos com a história de um fotógrafo numa aldeia do Douro, que se torna obcecado por uma rapariga morta.
Esta semana serviu também para poder testar um pouco os guias que temos cá em casa. Visitei alguns restaurantes e casas de chá, e fiquei agora a conhecer mais e melhores sítios de Istambul, que em breve serão referidos por aqui, quem sabe num top restaurantes.
Como disse, vagueei por zonas ricas como Bebek, Arnavutkoy ou Nisantasi. As duas primeiras são mesmo em cima do bósforo, e são conhecidas pelas grandes mansões em cima da água e pelas lojas e restaurantes caros que se podem visitar.
Arnavutkoy, perto de Bebek, no Bósforo
Para contrastar, visitei Fatih e Fener, talvez das mais pobres regiões de Istambul. Aqui são raros os turistas, e frequentes as crianças descalças a jogar futebol na rua. Alguns turcos que conheço chamam a este sítio "Islamic Republic of Istanbul", devido a ser onde se concentram os mais tradicionais e mais fervorosos fãs da região islâmica. Aqui raramente se vê mais do que os olhos das mulheres, e os homens exibem barbas compridas e mantos que cobrem o corpo. Até nos preços da comida se nota a diferença. Acho que neste sítio tive a noção de que Istambul é quase um país, uma mistura gigante de culturas e formas de vida. De realçar ainda a beleza de alguns locais em Fatih, principalmente a Fatih Mosque e o Kariye Museum, uma antiga Igreja e Mesquita que hoje mostra os melhores mosaicos da cidade.
Aqueduto de Vallens
Mesquita Fatih
Chegada ao Bósforo depois de descer de Fatih
Fim do passeio em Eminonu, com vista para a Torre Galata
Increible.
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