segunda-feira, 28 de março de 2011

Top 5 e meio de Comida Turca

Surge então o primeiro ranking no meu blog, claro está, de comida! Teria que ser o primeiro, ou não fosseturismo gastronómico uma das minhas actividades favoritas. Chamo-lhe top 5 e meio primeiro porque é giro armar-me em parvo, e em segundo para distinguir os 5 pitéus que mais apreciei até agora e também um sexto, que ficou perto de entrar nos 5 primeiros, mas que ainda não me convenceu por completo. Ora então cá vai a minha opinião, na esperança de levar alguns curiosos a um dia provarem estas delícias:

1 – Lahmacun: Consiste numa espécie de piza muito muito fininha, com cebola, tomate, pequenos pedaços de carne e ervas, que vem acompanhada por diferentes vegetais. Estes vegetais devem ser colocados em cima da piza, polvilhados com picante e menta, e em seguida a piza deve ser enrolada. O sabor é fabuloso, o estilo de comer é turco, o cheiro que fica nas mãos é teimoso, e tudo isto por menos de um euro!

2 – Adana durum Kebap: Ora bem, kebaps há muitos e muito diferentes (a bem dizer, acho que vou escrever um artigo só sobre este fenómeno gastronómico), mas o que mais se distinguiu até hoje foi este adana durum kebap. Durum significa “num wrap”, e define o tipo de pão em que o recheio do kebap vem embrulhado. Adana é um tipo de carne que consiste em carne de borrego picada grelhada em espetadas ao lume. Junta-se isto a alguns legumes, um pouco de picante e o wrap para embrulhar e temos o nosso segundo lugar do pódio. Tudo isto também por coisa de 2 euros e meio.

3 – Baklava: A grande sobremesa turca. Não podia deixar de estar no ranking, nem que seja por ser diferente de qualquer sobremesa que já tenha experimentado. O sabor intenso dos pistachios, com as finas camadas de massa e o toque final de açúcar derretido com manteiga culminam nesta maravilha da Turquia, original de Antep, ou Gaziantep, cidade que visitarei muito em breve. Existem mais de uma dezena de varieadades de Baklava. Provar todas e eleger a minha favorita é o meu passo seguinte.

4 – Kumpir: Já falado aqui no blog, o kumpir é tradicionalmente comido na zona de Ortakoy, embora possa ser encontrado um pouco por toda a cidade. Basicamente é uma grande batata, em que o seu interior é misturado com os mais diversos ingredientes. Quase tudo pode ser misturado dentro de um kumpir. De todas as coisas que comi, é talvez a mais diferente, e quem visitar Istambul tem que provar.

5 – Kofteci: Traduzindo, almôndegas. No entanto, mais uma vez, em terras turcas estes simples pedaços de carne tornam-se mágicos quando misturados com as mais diferentes especiarias e grelhados segundo os segredos turcos. Existem vários tipos também, são geralmente servidas com pão, pimentos, tomate e alface, e sabem sempre bem. Algumas cadeias de Kofteci não são más de todo, especialmente a Ramiz Kofteci.

Meio – O prémio consolação deste primeiro ranking vai para o Kokoreç. São pedaços de intestino de borrego, geralmente servidos no pão, com um sabor intenso e inesquecível. No entanto, talvez pelo poder deste sabor, ainda não o consegui integrar nos 5 primeiros. Mas não deixem de provar se visitarem Istambul, é imperdível. O melhor sítio para os provar será o Sampyon Kokoreç, também uma cadeia.

Por fim, é importante referir que este ranking foi construíndo tendo em conta o que experimentei neste primeiro mês e meio na Turquia, e que poderá (e eventualmente irá) ser alterado com novas experiências e novos sabores que descobrirei. Queria deixar também uma palavra de apreço a alguns pratos derrotados como por exemplo o Balik Ekmek (pão com peixe), Pide (piza turca), Midye Dolma (mexilhões com arroz), Manti (raviolis cá do sítio) ou os outros tipos de Kebap. São também merecedores da vossa curiosidade e bons representantes desta gastronomia surpreendente.

Os últimos tempos


Ao fim de algum tempo sem escrever aqui nada, aqui vai um resumo das coisas mais interessantes que tenho feito. Peço desculpa por não serem claramente tão entusiasmantes como as viagens, mas afinal de contas também estou a estudar por aqui.

Bem para começar uma coisa relevante para quem retira daqui algumas dicas turísticas: em Março pode nevar, e bastante! Já tivemos um pouco de tudo, passando do cancelamento das aulas devido à neve para a falta de vontade de ir às aulas devido ao sol. Aproveitando alguns raios de sol temporários, fomos passear por exemplo ao lado asiático de Istambul, aqui há duas semanas. Um dia de sol, um passeio pelo Bósforo de Uskudar até Kadikoy, e umas voltas nas ruas movimentadas e cheias de lojas da zona de Moda.

Tive também oportunidade de andar por dois dos bairros mais chiques e caros da cidade: Bebek, mesmo em cima do Bósforo, e Nisantasi (na zona de Osmanbey). Foi bastante engraçado observar as diferenças entre estas zonas mais exclusivas e as áreas mais interiores e pobres de Istambul. As pessoas na rua parecem todas famosas. Dá a sensação que me estou a cruzar com grandes estrelas do cinema turco sem fazer ideia de quem são.

Depois de mais de um mês e meio aqui, fiz duas coisas pela primeira vez: entrei num centro comercial e comi no McDonalds! Fui ao centro Cevahir, em Sisli, que dizem ser o maior centro comercial da Europa. Se é, não sei, mas que é enorme é verdade. Lá dentro fui, como disse, ao McDonalds, que é uma coisa que faço em todas as cidades que visito, pela piada de comparar os menus e as adaptações da comida aos países. Pode parecer um pouco, digamos, parvo, mas gostos não se discutem. Já agora aproveito para apresentar as 3 grandes adaptações do McDonalds à Turquia: McKofte (hamburguer de almôndegas), McTurco (não sei bem mas vou provar), e McKavuklu (com frango mas diferente do McChicken). Tem também uns menus gigantescos como o Mega Big Mac (4 Hamburguers), que vão ter que ser experimentados!

Outro dos destaques dos últimos dias vai para a minha visita à maior fábrica de Baklava do mundo. Baklava é a mais conhecida sobremesa turca, um doce geralmente com pistachios, açúcar, e cerca de 35 camadas microscópicas de uma massa feita cuidadosamente pelos chamados mestres do Baklava. Fiquei a conhecer alguns segredos deste negócio, e graças à já habitual amabilidade dos homens de negócios turcos, pude provar quase todos os tipos de Baklava que existem.

Durante esta semana o governo do meu país caiu, mas isso não se passou na Turquia, pelo que não terá comentário aqui no blog. Já na Turquia, cairam também Bernd Schuster e Gica Hagi, os antigos treinadores do Besiktas e Galatasaray, o que abre agora novas e mais positivas perspectivas para estes importantes clubes da capital.

Já que falo do Besiktas, tenho que contar esta história. Estava eu já há cerca de 4 horas numa esquadra de polícia turca, a tentar conseguir tratar do meu visto de residência (burocracia turca merecerá um texto exclusivo), quando se passou um momento digno de registo. Depois de meia hora a olhar para o meu passaporte e a escrever números sem qualquer comentário (o meu turco não é brilhante, e o inglês dele também não era), o senhor polícia elevou a sua cabeça, olhou para mim, olhou de novo para o passaporte, elevou de novo a cabeça, e, através do vidro do guichet, exclamou: “Ricardo Quaresma!” Eu respondi “Simão Çok Guzel” (a tentar explicar que o Simão era melhor) e assim terminou a saga do visto de residência.

sábado, 19 de março de 2011

Pamukkale, Selçuk, Ephesus e Izmir


Finalmente, o clima deu uma trégua e aproveitei para viajar um pouco. Fui passear para o sudoeste da Turquia, e apesar de muita coisa ainda ter ficado por explorar, aqui está um pequeno relato dos dias que passei fora de Istambul (talvez queiram ter o mapa da Turquia por perto!). Ora bem, começámos por partir Sexta à noite de Istambul para Denizli, uma cidade bem feia no interior do sudoeste turco. Depois de 10 horas a dormir na camioneta, chegámos a Denizli, que de bonito só tem o facto de estar rodeada por altas montanhas cheias de neve. Mas também só fomos lá para apanhar um mini autocarro para Pamukkale, o nosso primeiro destino. Há que acrescentar que por volta das 4 da manhã, numa das muitas paragens que a nossa camioneta fez, eu decidi ir à casa de banho. Quando volto, a camioneta não estava lá!!! Vejo-a ao fundo da estação, já a sair para a estrada principal. E não fui de modos, toca a correr a todo o gás para não ficar para trás!!! E consegui chegar a tempo claro, mas não sem apanhar um susto valente! O que não me impediu de me sentar, e adormecer nos 40 segundos seguintes!

Chegámos então a Pamukkale! Começa-se a subir uma rua numa vila pequenina, e de repente aparece uma montanha toda branca, que parece ser coberta de neve, mas é calcário. Tem que se tirar os sapatos antes de começar a subir a montanha, mas depois o solo é bastante aceitável. É mesmo muito bonito, a vista é linda, estava sol, e é bonito ver o que a natureza faz. Lá subimos tudo, tirámos umas fotografias, molhámos os pés, e no cimo da montanha descobre-se Hierapolis, uma antiga cidade romana que ainda deixou bastantes vestígios. Bastante gira, grande vista, e um antigo teatro bem recuperado! O melhor de Pamukkale veio claramente depois! Quando já me preparava para descer, já estava mais calor e vi uma senhora de fato de banho a arriscar-se a tomar um banho nas piscinas de calcário. Como é óbvio, não podia deixar escapar tal oportunidade, e em 5 minutos já estava dentro de água, num banho relaxante com vista para as montanhas! Çok çok guzel!!!


Lá descemos aquilo tudo, abastecemos com uns kebabs, jogámos um gamão e apanhámos um mini autocarro diretamente dali para Selçuk, uma pequena vila a 3 horas (supostamente) dali, e que fica perto de Ephesus, o nosso próximo destino!
Já perto das 8 e tal da noite, depois de uma viagem de 4 horas e meia (pelo que percebi, era giro ficarmos parados à beira da estrada uns 40 minutos à espera de um gajo qualquer que lá chegou), lá chegámos a Selçuk, ainda sem hostel e com o objectivo de ver uns 5 ou 6 até descobrir o melhor (ou seja, mais barato). E assim foi, vimos uns quantos, negociámos, fizemos amigos turcos, e acabámos por ficar na "Australian and New Zealand Guest House". Uma excelente escolha, com um dono turco maluco que tinha vivido na Austrália, com bom ambiente, um terraço fantástico, uma cama aceitável, uma casa de banho gelada, e um preço irresistível (15 liras, por volta dos 6 euros).


No dia seguinte de manhã, depois de conhecer-mos uns quantos gajos porreiros no hostel, lá fomos para Ephesus, a 3 km da vila. Fomos a pé, uma boa caminhada perto das montanhas (senti-me no Alentejo a dar um passeio), e chegámos muito facilmente.

Ephesus é também uma visita a não perder. São duas ou três horas a andar (depende do interesse da pessoa) pelas ruínas, a descobrir os restos de bibliotecas, teatros, ruas, ágoras, banhos, palácios, etc. É a segunda maior cidade em ruínas da Europa, depois de Pompeia, tem um coliseu ainda bastante intacto (ou recuperado) que levava umas 40000 pessoas.



Depois de comer um Borek sentado em cima de um calhau com uns quantos milhares de anos, voltámos para Selçuk, ainda a tempo de explorar a pequena vila, comprar os bilhetes para partir para Izmir, dizer adeus aos nossos amigos, jogar um gamão, beber um cházinho perto dos velhotes turcos que nada fazem, e apanhar o autocarro.

Uma horinha e meia depois, já estávamos em Izmir. Chegámos um pouco fora da cidade mas foi fácil descobrir o caminho para Bornova, um bairro muito fixe, a 6 estações de metro do centro, onde íamos encontrar o Ergun, o nosso grande amigo que atráves do "couch surfing" nos cedeu o seu quarto amavelmente. O Ergun revelou-se um tipo 5 estrelas, conhecedor de futebol turco e internacional, e principalmente de cinema! Levou-nos a um bar com música ao vivo, e depois em casa dele teve a mostrar-nos montes de filmes até já estarmos a morrer de sono. Muito simpático, ficou um amigo feito! Único defeito da experiência foi a casa de banho do rapaz. Fez parecer a minha de Sariyer um luxo!



Segunda feira foi passada a andar por Izmir, a 3ª maior cidade da Turquia. Não é nada do outro mundo, mas é em cima do mar, tem um bazaar muito grande e divertido! E uns quantos sítios giros para relaxar, ver a vista, e claro...... beber chá e jogar gamão!

Ao fim do dia jantámos com o Ergun, que nos mostrou muito boa e barata comida turca, e lá nos despedimos para mais umas 10 horas de viagem. Desta vez o autocarro era menos confortável, e não dormi assim tão bem, mas fez-se, desta vez sem corridas para o autocarro.


E foi isto, uma grande viagem, sempre ao sol! Sobra uma coisa muito importante: comprei a minha camisola do Besiktas no mercado de Izmir! O vendedor pediu 35 liras, e eu em turco disse "çok pahali", o que signigica muito caro! O gajo, desesperado com o meu conhecimento da língua, diz: quanto é que dás? Eu disse 20, e assim foi! Uma bela camisola por 8 euritos!

quarta-feira, 9 de março de 2011

O regresso

E quando pensavam que isto estava acabado, cá estou de volta para escrever sobre a Turquia e Istambul. Como alguns sabem o meu blog esteve inactivo durante as últimas semanas, mas agora parece estar de volta. Alguma imprensa internacional disse que tudo se deveu a um bloqueio ao blogger pelo governo turco, depois de um processo judicial complicado que envolveu um gigante da televisão cá do sítio (é melhor não referir nomes, não me vão bloquear outra vez). No entanto, os mais perspicazes perceberam que tudo isto se deveu ao facto de eu ter dado os parabéns ao meu pai numa plataforma online. Foi imediato!

Bem deixando-me de brincadeiras, é bom ter de volta a minha liberdade de expressão, e em breve publicarei coisas novas!