sábado, 19 de fevereiro de 2011

Transportes Istambul - Parte I

Este é o primeiro post de muitos outros que vou escrever dedicado ao fenómeno dos transportes em Istambul e na Turquia. Das primeiras coisas a fazer para alguém se sentir preparado para se movimentar em Istambul é dominar, ou pelo menos compreender, os diferentes transportes da cidade. São muitos, geralmente levam muita gente, funcionam de maneiras diferentes, e em geral têm algumas particularidades.

Existem autocarros “normais”, têm paragens, o bilhete é pago à entrada ou então o passe da cidade também serve. São grandes, modernos, e o 25T é o mais importante para nós, porque liga Sariyer a Taksim. Mas destes pouco há a dizer...

Depois existem os “mini bus”, um pequeno autocarro, como podem ver na fotografia. Existem aos milhares, são ágeis como cobras no trânsito, oferecem muitos percursos, e são, digamos, especiais. Primeiro, o passe não funciona aqui. O dinheiro tem que ser pago ao condutor, que recolhe 1,5 TL à entrada do passageiro, estendendo a mão para trás, sem olhar, enquanto continua a guiar. No entanto, o mais comum em Istambul é o passageiro entrar, sentar-se, procurar trocos, e, depois de os encontrar, passar o dinheiro à pessoa da frente. Isto vai acontecendo sucessivamente até o dinheiro chegar ao condutor. No caso de existir troco, este regressa ao dono fazendo o percurso inverso. Não existe qualquer bilhete ou papel que comprove o pagamento, mas quem pensa em entrar e não pagar, pode esquecer. Estes condutores são homens atentos, e à mínima tentativa de escapar ao sistema, eles “relembram” ao passageiro que não pagou. Outra curiosa particularidade com estes “mini bus” é o facto de não existirem paragens para os apanhar ou para sair. Se queremos entrar, basta fazer sinal em qualquer parte da rua que nos pareça própria para entrar no autocarro. A maior parte das vezes é o próprio condutor que buzina ou faz sinais de luzes, como que a perguntar se a pessoa não está interessada em entrar. Para sair, basta aprender a dizer em turco que nos apetece sair, ou exclamar “Dur, lutfen!” (Pare, se faz favor) Isto significa que é possível um autocarro destes parar de 20 em 20 metros para deixar entrar ou sair alguém, o que se pode tornar chato e enjoativo, principalmente quando o autocarro ainda não está cheio e procura clientes.

Os “dolmus” são também um transporte interessante. São uma espécie de taxi grande, com espaço para umas 8 ou 9 pessoas. Têm menos percursos mas são muito úteis à noite, para voltar para casa depois de umas voltas perto de Taksim. Aliás, a paragem destes “dolmus” a qualquer hora da noite perto de Taksim é incrível. Para além dos veículos e dos condutores, acumulam-se homens que gritam e tentam organizar as filas. Os condutores têm um acordo com estes homens em que lhes pagam uma pequena quantia de cada vez que enchem o “dolmus”, e estes arrumadores estão ali noite fora a encaminhar as pessoas para o seu transporte para casa.

Os taxis, os trams, o metro e o eléctrico da rua Istiklal Cadessi são os, digamos assim, transportes mais normais da cidade. O tram e o metro são modernos, limpos, e principalmente rápidos e eficientes na fuga ao trânsito. O tram mais importante até agora é o que liga Kabatas a Sultanahmet, passando pelas partes mais turísticas da cidade.

Depois passamos para os barcos! Neste tópico vou deixar ainda poucas informações, visto que ainda tenho que os utilizar um pouco mais para poder escrever mais sobre eles. Para já sei que existem vários tipos, vários horários, e vários locais diferentes onde apanhar barcos ou ferrys, que principalmente ligam o lado europeu ao asiático. O melhor de tudo é que são modernos, estáveis e confortáveis. Em todos eles há um pequeno bar e um senhor a vender çay quentinho pelo barco. Nos barcos que percorrem distâncias mais longas, há televisões com as notícias e o estado do tempo e trânsito, e até um aviso para desligar os telemóveis. Parecem aviões, e posso acrescentar que se dorme muito bem na viagem da longínqua zona de Bostanci (no lado asiático, perto da casa da Ayse) até Sariyer (a minha humilde vila).

Para já foi isto que aprendi sobre os transportes de Istambul. Sei que ainda tenho muito para aprender, mas já fico contente por conseguir voltar para casa da maioria dos sítios, seja por terra ou por mar.

1 comentário:

  1. Estou a gostar imenso do blog. Não tinha ideia nenhuma sobre alguns aspectos descritos neste artigo.

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